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24 de abr. de 2007

Caçar bugigangas



Curtas da Secretaria

PLANTIO DE ÁRVORES NA CALÇADA: antes de plantar árvores na calçada consulte a Secretaria para orientações quanto às espécies adequadas e forma de plantio.

REPOSIÇÃO FLORESTAL: quem está devendo a reposição florestal tanto na cidade quanto no interior deve providenciar o plantio. As vistorias começam a ser feitas este mês. Quem não tiver cumprido o disposto no alvará poderá ser multado.

Faça a sua parte! Conserve o meio ambiente.

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EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Atividade: “Caçar Bugigangas”

Objetivo: É uma atividade estimulante e divertida que visa desenvolver a capacidade de observação, o trabalho em equipe, a identificação, além de trabalhar conceitos da ecologia, biologia e outros, dependendo do objetivo do(a) educador(a).

Quando e onde realizar: de dia, em qualquer local

EXEMPLO: Lista de bugigangas

Escolha somente coisas que possam ser recolocadas com segurança e que não causem danos.

1. Uma pena
2. Uma semente espalhada pelo vento
3. Uma folha
4. Um espinho
5. Um osso
6. Dez amostras de alguma coisa
7. Três tipos diferentes de semente
8. Algo camuflado
9. Algo redondo
10. Parte de um ovo
11. Algo que seja felpudo
12. Algo que seja reto
13. Algo que seja bonito
14. Cinco amostras de algo artificial
15. Uma folha comida (não por você!)
16. Algo que faça barulho
17. Algo vermelho
18. Algo branco
19. Algo que seja macio
20. Uma pedra.Número de participantes: 3 ou mais

Idade mínima: 5 anos

Material necessário: saco de papel, lápis e lista de bugigangas

Como brincar: As crianças podem ser organizadas individualmente ou em grupos, dependendo do número de crianças. Cada criança ou grupo recebe uma lista de “bugigangas” que deverá procurar. A brincadeira pode ser feita de diversas formas: marcando tempo por item e conferindo cada item por grupo ou marcando um tempo total para toda a lista e conferindo após o término do tempo estabelecido. Cada objeto encontrado marca um ponto. Ganha quem tiver feito mais pontos. Essa brincadeira pode ser feita com crianças não alfabetizadas, bastando substituir a lista por uma cartela com quatro ou cinco desenhos (uma folha, uma pena, uma pedra e uma joaninha, por exemplo).

SE VOCÊ UTILIZOU ALGUMA DAS ATIVIDADES PROPOSTAS AQUI, NOS MANDE UM E-MAIL CONTANDO COMO FOI!

Adaptada do livro “Brincar e aprender com a natureza” de Joseph Cornell.

(Bióloga Mariana Faria Corrêa)

16 de abr. de 2007

Tolerância: chave para a boa convivência



“Conversar con todo el mundo. No temer el contagio de los adversos. Ningún conflicto es un túnel cerrado y la luz del entendimiento puede entrar por los dos extremos.”

Pablo Neruda

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A tolerância é, sem dúvida, a chave para uma convivência harmônica e produtiva entre seres vivos co-habitantes do Planeta Terra.
Essa afirmação, aparentemente um pouco ampla, poderia nortear a postura dos seres humanos frente a natureza e apaziguar conflitos históricos.
A forma como as coisas sempre foram feitas, em si, não justifica que as ações continuem sendo realizadas da mesma maneira. Isso significa dizer que todo o cidadão deveria repensar o porquê de agir de uma ou de outra forma, avaliando cruamente as motivações e desejos.
Quando falamos em meio ambiente temos uma questão cultural muito forte e conceitos arraigados, mas que hoje podem ser injustificados. As ações e formas de fazer e pensar transmitidas ao longo das gerações parece prevalecer, em muitos casos, ao estudo científico e discursos para preservação do meio ambiente.
O que quero dizer com tudo isso? De maneira simples: não é mais possível aceitar algumas situações comuns num passado não muito distante. Hoje caçar é crime, assim como desmatar. E porque se tornou um ato criminoso se era uma prática tão comum, aceita e amplamente praticada? Justamente por esses motivos. Animais foram caçados sem nenhum controle, sem nenhum cuidado. Espécies foram dizimadas, seja por sua utilidade, seja por não serem “úteis”. A mata nativa, outrora exuberante, foi completamente explorada, restando pequenas manchas que, apesar do tamanho, ainda desempenham um papel fundamental para todos os seres vivos do Planeta.
Hoje as florestas, os cursos d´água e todos os recursos naturais estão acima do direito privado de um cidadão. O meio ambiente é direito de todos e, sendo assim, sua proteção é uma obrigação coletiva. Ações isoladas parecem pequenas justamente porque são avaliadas isoladamente, mas quando agrupadas percebe-se sua dimensão.
Desta forma, a tolerância é um conceito que vai além do próprio termo, não devendo ser entendida apenas como o ato de “suportar”, mas sim como uma nova forma de ver a vida, respeitando outros seres, outras opiniões, não bastando apenas escutar o outro, mas principalmente compreender o outro, avaliar seus motivos e argumentos e, com isso, repensar os nossos próprios conceitos. Parece simples, mas não é. Colocar-se no lugar do outro verdadeiramente é um desafio, ponderar é primordial. A busca pela plena satisfação dos nossos desejos deve ser precedida por uma avaliação criteriosa. Dentro de uma sociedade há regras estabelecidas, algumas claras, outras sutis. Para o que não há regra, há o bom senso.
A briga pela defesa do meio ambiente deveria ser uma ação coletiva, visto que a degradação da mesma gerará implicações para todos os seres vivos – e não somente para uns ou outros. A poluição do ar, da água, o aquecimento global atinge a todos, independente de dinheiro, de poder, de credo.
Conservar a natureza é uma questão de atitude, tolerância e respeito. Exemplos simples: as árvores não são meros objetos criados para satisfazer aos nossos desejos e necessidades. Elas existem por si mesmas, respiram, reproduzem-se. Algumas árvores podem sobreviver muitos anos. Elas não são meros elementos decorativos, fornecedores de sombra ou proteção. Muitas vezes recebemos solicitações para corte de árvores para realçar a fachada de algum empreendimento, ou porque dão muito trabalho para limpar a calçada quando perdem folhas. É nesses casos que se percebe a necessidade de uma grande dose de tolerância e respeito. É claro que varrer a calçada diariamente gera trabalho, mas aquela árvore está ali, às vezes há mais tempo que nós, fornecendo sombra, proteção ao vento, beleza... Não é uma questão de substituí-la por outra. Seres são insubstituíveis e a maioria tem defeitos e qualidades. Assim, o relacionamento entre seres humanos ou não, deve estar aberto aceitar os defeitos, respeitá-los, valorizar as qualidades e conviver com tudo isso. Não estamos falando em radicalismos! Há caso de árvores danificando prédios, ameaçando cair sobre casas... ok! Certamente não é culpa delas, foram plantadas em locais inadequados, mas para garantir a segurança são retiradas. Mas esse tipo de atitude não deve ser a regra, deve ser a exceção. O mesmo pode-se dizer dos animais. Alguns deles estão próximos de nós, convivem conosco. Ótimo! Isso é muito bom! E porque temos que tomar alguma atitude? Porque sempre que vemos um animal pensamos que temos que fazer alguma coisa (pro bem deles ou pro fim deles)? Na maioria das vezes eles estão bem onde estão e muitas vezes só de passagem... Então porque não tolerar sua presença? E quem sabe até usufruir dela?
O segredo da convivência é a tolerância, mas para que isso seja possível é preciso que cada um de nós esteja disposto a fazer a sua parte.

(Bióloga Mariana Faria Corrêa)

23 de jan. de 2007

Antes do mar, as águas


INFORMES DA SEMMA

Nova lei de proteção à Mata Atlântica: foi sancionada em 22/12/2006 pelo Presidente Lula a lei n° 11.428 que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica e dá outras providências. A partir dessa lei grandes restrições foram impostas à utilização dessa vegetação nativa no país, inclusive no Rio Grande do Sul. A Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) suspendeu todos os licenciamentos no Estado para que se faça a interpretação jurídica e técnica da lei e a recomendação é de que todos os municípios habilitados façam o mesmo. A partir dessa lei haverá mais rigor nas liberações de manejo florestal inclusive sendo obrigatória a averbação de, pelo menos, 20% da propriedade como reserva legal. A legislação na íntegra pode ser lida no site e no blog da SEMMA e é indispensável que os técnicos e cidadãos em geral apropriem-se do conteúdo da mesma.

½ AMBENTE ON LINE: foi inaugurado esse mês o ½ AMBENTE ON LINE, o Blog da SEMMA que tem como objetivo disponibilizar informações atualizadas sobre os mais diversos temas relacionados à conservação e proteção do ambiente natural. Também são postadas fotos de animais, plantas e eventos de Venâncio Aires. Entre lá, conheça o Blog e deixe seu comentário ou sugestão. O endereço é: http://meioambienteonline.blogspot.com/

Site da SEMMA: O site da SEMMA está cada vez mais completo e atualizado. Foram inseridos quatro novos tópicos que podem ser muito úteis para os técnicos e demais cidadão venâncio-airenses: “mineração”, “licenciamento”, “manejo florestal” e “fauna silvestre”. Nesses tópicos encontram-se informações atualizadas e esclarecimentos importantes sobre os procedimentos e trâmites. No tópico “manejo florestal”, por exemplo, há uma lista de perguntas e respostas mais freqüentes, incluindo as normas de plantio na arborização pública e espécies recomendadas. No site também está disponível uma coletânea das principais leis ambientais municipais, estaduais e federais no tópico “Legislação Ambiental”. Visite-nos!

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ANTES DO MAR, AS ÁGUAS

Talvez na iminência de um novo verão escaldante, a questão da água vem sendo assuntada como risco de desabastecimento, senão isto, de racionamento. A percepção de novos rigores do clima vem sendo ajudada pela ampla divulgação que vem recebendo da mídia, o que parece que já dá de pronto a saída para o problema, identificado no combate às causas do aquecimento global. É bem verdade que o aquecimento da atmosfera já conta com um número apreciável de indicadores sugerindo mudança no clima mundial, bem como vem convencendo mesmo alguns dos cientistas mais pragmáticos sobre seus efeitos. No entanto, o problema é reconhecido por aqui apenas por alguns aspectos mais visíveis à realidade local; talvez por isto se encontre reduzido a estes dois pólos: localmente, como risco de falta de água e, no geral, como aquecimento global.
O raciocínio de que “se falta água, há água de menos” se justifica se o problema for pensado apenas como risco de desabastecimento. Observada sob um prisma ambientalista, a pergunta muda para “por que” existe o risco de faltar água. A sugestão traiçoeira é ignorar o arroio Castelhano e ir buscar água onde ela perece que não termina, talvez no rio Taquari ou o mesmo por opções semelhantes. Responde-se assim ao problema da falta de água sob o prisma do desabastecimento, quer dizer, da quantidade de água disponível. Esta solução ignora que o rio Taquari tem algo próximo de 4/5 dos municípios da bacia Taquari-Antas acima do trecho que cruza o nosso município. Reivindicaríamos um rio limpo, enquanto negligenciamos nosso principal manancial, o arroio Castelhano, que cruza todo o município, da sua nascente até a sua foz, e que alimenta pelo menos dois aquíferos úteis na região? Por sua vez, por ser um tema difícil de materializar, o aquecimento global se mostra ainda apenas um vulto informe ao qual se associa algum mal iminente. É uma abstração agourenta que teima em fugir dos nossos esforços de compreensão e de ação quase de todo.
Por aqui, não é incomum chegarem à Secretaria do Meio Ambiente cidadãos indignados com a burocracia que se tem para cortar uma única árvore, que pode ter sido pela própria pessoa plantada tempos atrás, enquanto a Amazônia legal, é o que dizem, é destruída quase sem controle. Não pode haver nada mais desarrazoado em problemas ambientais que apontar o tamanho do problema para desincumbir-se de cuidados. Coisa do mesmo gênero é buscar solução para o problema do abastecimento do município como desafio frente a um clima cada vez mais hostil. Não é o caso de pensar o “problema da água” como quantidade, mas em reconhecer que “mais” água é o resultado da preservação do ciclo natural das águas, em seus múltiplos aspectos. Soluções menores que a da perspectiva ambientalista valem apenas como expiação no que o problema permanece de indiferente a nós como o próprio céu, ao qual se roga alguma sorte ou (depois) se a maldiz, enquanto o problema – ante mare, undae – grassa nos fundos de casa.

André Silveira - geólogo